quarta-feira, 26 de junho de 2024

Reflexão sobre biotensegridade da Ana Queirós

 Por onde começar com a biotensegridade?


Usar este conceito teórico na prática é verdadeiramente difícil e não linear, no entanto, para mim, tem de começar pela mudança da forma como vemos o corpo. 

Há já muitos anos que dizia que o corpo é uma coisa só, devemos olhar para o corpo como um todo, mas depois fazia avaliações e intervenções muito mais locais que globais... 

Só com a biotensegridade pude mesmo começar a observar e abordar o corpo como um todo. E para mim partiu da noção de matéria mole. Mais do que o modelo de tensegridade em si, a experiência do oobleck deu-me uma referência inicial mais aplicável. Já consigo descolar-me da noção dos ossos e músculos dos paus e dos fios, mas no princípio, senti que a estética do modelo de tensegridade desajuda mais do que ajuda... 

O icosaedro é uma representação de comportamento, não de estrutura gráfica. A superestabiliade, a influência de cada parte no todo, as respostas às forças exercidas sobre o modelo.

Logo após a matéria mole, a noção de distribuição em vez de concentração, partindo da definição do stress, ou força por área, que se completou com a noção da profundidade, através da manifestação das pregas cutâneas, que demonstra a importância de considerar uma heterarquia dos tecidos, em vez de apenas pensar em músculos como os reis do movimento.


Em terceiro lugar, a noção de fáscia, não como um tecido separado do resto, mas como todos os tecidos em conjunto serem variantes dessa mesma fáscia, com densidades diferentes, mas que formam o "tecido" do qual o corpo é fabricado. É tudo uma coisa só.


Partindo disto para o movimento, para além de observar as organizações locais, observar a relação global das partes do corpo em movimento e os padrões/expressões começam a surgir de outra maneira.


Em termos de referências para o movimento, no meu trabalho, em vez de observar a organização das articulações em si, as amplitudes propriamente ditas ou as formas, passei a estar mais sensível à relação entre as partes, o que está a acontecer no todo, por onde se inicia o movimento, onde existem "bypasses" ao movimento, zonas que não comunicam movimento ou por onde o movimento não passa. E tentar conciliar essas observações com o que sei de corpo, com o que os alunos sentem, contam, com a sua história, etc.
Neste sentido, só com esta visão do corpo consigo realmente personalizar cada sessão e ir de encontro às necessidades do momento dos alunos.

domingo, 2 de junho de 2024

Preparação do 2º encontro

 Olá,

A proposta para o segundo encontro é este artigo do Graham Scarr

Biotensegrity - Tensegrity In Biology

(Biotensegrity: "A different way of thinking", Graham Scarr, 2018)

O próximo encontro será dia 7 de Julho, domingo, no mesmo horário, com início às 17:00 horas.

Se tiverem outra sugestões, podem falar comigo ou apresentá-las aqui, como comentário.

Até breve

1º Encontro - 2 Junho 2024

Olá,

Aqui fica o link para a gravação do primeiro encontro, cujo vídeo fica arquivado e público no canal youtube BIM.

https://youtu.be/pwTOMN-wZYw

Se tiverem questões que queiram dar continuidade, podem fazê-lo aqui nos comentários.

Deixo aqui alguns links que foram mencionados na reunião.

.Curso Biotensegridade para fisioterapeutas

Applied Biotensegrity in Physiotherapy (sutra.co)

.Plataforma de estudo e discussão sobre Biotensegridade

Embodied Biotensegrity (sutra.co)

.Livro sobre a relação terapeutica. A autora Carol Davis é uma das principais dinamizadoras e conhecedoras sobre biotensegridade e também é uma das principais responsáveis pelo curso Applied Biotensegrity in Physiotherapy

Patient Practitioner Interaction: An Experiential Manual for Developing the Art of Health Care: 9781630910464: Medicine & Health Science Books @ Amazon.com

O mecanicismo da biologia

Um modelo criado para máquinas e estruturas industriais foi aplicado ao corpo humano. Esse modelo foi extremamente útil em engenharia, mas ...