sexta-feira, 26 de julho de 2024

Preparação 4ºencontro

Olá,

Para o 4º encontro proponho a data de 18 de Agosto, no mesmo horário, 17 horas.

Continuamos a usar o artigo do Steven Levin proposto para o encontro anterior

Se tiverem reflexões, ideias, pensamento, dúvidas, algo que queiram partilhar, façam-no aqui no blogue. Irão sempre ter uma resposta de volta.

Até breve

Nuno

terça-feira, 23 de julho de 2024

Reflexão sobre o 3º encontro

Bom dia,

O nosso 3º encontro foi um bom exemplo de propriedade emergente, algo de que falamos quando nos referimos à tensegridade e biotensegridade em que a soma das partes, na matéria viva, resulta em algo que vai além da soma das propriedades ou características das partes. Nós tínhamos uma "agenda" e um conteúdo previsto, o artigo do Steven Levin,  bem como uma curiosidade e nível de conhecimento sobre a matéria em estudo. Juntou-se a Susan com o seu imenso conhecimento e uma personalidade comunicadora e empática, e resultou uma conversa cheia de assuntos variados que trouxeram novidade e abriram "portas" em outras direções inesperadas. Assim se entende, no contexto da biotensegridade, 

Reflexão 2 sobre o 3º encontro

Durante a conversa com a Susan, ela contou que acordou a meio da noite e realizou que o centro de um buraco negro tem que ter a forma de um tetraedro porque é a estrutura física que tem o mínimo de energia e o mínimo de volume possível em qualquer estrutura física. Penso que esta é uma boa oportunidade para falar um pouco sobre esta coisa das estruturas geométricas na composição das estruturas físicas, que vem mencionado no artigo do Steven Levin que estamos a ler. Confesso que, no início do meu estudo em biotensegridade, eu não percebi porque estavam sempre a falar dos poliedros regulares lineares e volumétricos com nomes tão estranhos como tetraedro e ecosaedro e porque foi o ecosaedro o modelo escolhido para representar a estrutura mais básica da tensegridade. Vou tentar resumir um pouco do que eu entendi disto tudo, e ainda estou a estudar por isso ajudem se virem alguma coisa errada ouse não entenderem alguma coisa do que digo.

Primeira constatação é que quando falamos de qualquer coisa que exista no mundo da matéria - como um grão de areia ou como um corpo humano - estamos a falar de matéria física e TODA a matéria física é estudada pela Física. Os princípios gerais da Física, chamados princípios básicos, aplicam-se de forma exatamente igual quer se trate do grão de areia, quer se trate do corpo humano. Esta constatação foi para mim um choque! Então estou a comparar-me a um grão de areia? Sim, os átomos que constituem um encontram-se no outro. Logo, se estudar o comportamentos dos átomos posso saber alguma coisa sobre a base da matéria, sobre a base do corpo humano. Como os detalhes do corpo humano são tão complexos e tantos e tão intrincados uns nos outros, parece-me mais fácil se estudarmos o comportamento dos elementos de base - os átomos - para podermos antever e compreender o que se passa no complexo todo. Daí que se esteja a optar por este novo paradigma, da biotensegridade, que está justamente assente no conhecimento dos tais princípios básicos da física. Para mim isto facilita-me a vida na tentativa de compreensão dos estudos complicadíssimos que se fazem para estudar os detalhes do funcionamento do corpo. Isto porque eu sei -agora - que todos estes detalhes, por mais pequeninos e complexos que possam parecer, estão sempre sujeitos e subordinados aos princípios básicos da física. Estes princípios básicos foram nomeados e exploramos no artigo anterior que usámos, do Graham Scarr, e são:

  • Geometria geodésica - onde as força que atuam num corpo sempre unem dois pontos em linha reta mas dão origem a curvaturas mais ou menos complexas em escalas de dimensão maiores (A tal observação no ecosaedro que se deforma em torções quando lhe é aplicada uma força a direito num ponto)
  • O empacotamento denso (close-packing) de múltiplas partes no menor espaço possível, onde cada parte é estruturalmente dependente de todas as outras que a rodeiam
  • Energia mínima, onde tudo acontece do modo mais simples e mais eficiente possível. A estrutura descansa num estado de equilíbrio e de minima energia, e apesar da dinâmica dos sistemas vivos estar constantemente em mudança e estar longe do equilíbrio enquanto estão (estamos) vivos, aplicam-se os mesmos princípios.
Voltando à tal geometria da estrutura da matéria. A organização mais básica, a forma mais básica que ocupa o mínimo espaço e que requer a mínima energia para se manter, isto é que é mais estável, é o triângulo, no espaço bidimensional. Aqui seria bom fazerem a experiência com as mãos de tentar construir algo que crie espaço, que crie uma área (porque é importante que o modelo usado para descrever a estrutura da matéria viva delimite espaços, como acontece com uma célula, por exemplo). Usem pauzinhos de café, ou palitos, e podem uni-los com bolinhas de pão ou uvas passas, ou uvas frescas… usem a imaginação. Com dois palitos não conseguem criar uma área, não chegam. Com três já conseguem criar uma área, e dai para cima conseguem sempre criar uma área que irá ser cada vez maior. Reparem que com três palitos a estrutura que criaram é quase indestrutível, não se altera, é muito estável. Com 4 a coisa já é diferente, há possibilidade de movimento, a estrutura é instável e dai para a frente a coisa fica cada vez mais instável.
Mas nós vivemos num espaço tri-dimensional, então temos que considerar as 3 dimensões na nossa construção do modelo. Façam a mesma coisa, vão juntando pauzinhos com uvas ou qualquer coisa nos cantos que os una e vejam qual a estrutura mínima que conseguem obter que tenha, neste caso, volume e que seja o mais estável possível, isto é que requeira o mínimo de energia para manter a sua estrutura. Vão obter um tetraedro, um polígono de 4 faces triangulares.
Portanto, o tetraedro é a forma ou estrutura física que ocupa o menor volume possível e que requer o mínimo de energia possível. No centro de um buraco negro estas têm que ser as condições de existência de qualquer forma, dai que a Susan se tenha lembrado e feito a associação no meio do sono.
Esta é uma das consequências de estudar estes modelos e paradigmas novos que têm referências na realidade, na Natureza e nos vão relembrando de experiências que já vivemos não soubemos explicar.

domingo, 21 de julho de 2024

3º encontro 21 Julho 2024

Olá,

Deixo aqui a gravação do 3º encontro.

https://youtu.be/Zt9SnvW_Hv4?si=EXJS9f4l9A0ig_gE

Irei colocar aqui as informações e referências mencionadas durante o encontro.

- Video sobre uma pintura do Van Gogh que a Susan mencionou

"The universe, actually doesn't have very many shapes to choose from."

aos 5 minutos aproximadamente

https://youtu.be/qKZ9NOAgkt0?si=BGt-vbhyW0NLfbYV~

- Video da Susan, com uma introdução à biotensegridade feita na workshop do último fim de semana na plataforma Embodied biotensegrity


- Livro do autor Merlin Sheldrake, 

edição portuguesa

edição original (inglês)


- Plataforma de estudo sobre biotensegridade onde têm algumas seções gratuítas, anúncio de cursos, workshops etc. Para pertencer a esta plataforma, que se reúne 3 vezes por mês, há um custo de cerca de 45$ canadianos, mas aceitam que cada um proponha o montante que pode pagar, diferente do valor de tabela (Why 'Pay as You Can' (sutra.co))
Embodied Biotensegrity (sutra.co) e vale mesmo a pena pertencer a este grupo onde a Susan está sempre presente!







terça-feira, 16 de julho de 2024

Estímulo 4

Curva stress/strain
Curva carga/deformação


Curva de material com comportamento linear


Curva de material com comportamento não linear


Esta curva mostra o comportamento dos materiais, relativamente à deformação que experimentam, quando sujeitos a uma carga (stress).
Nos materiais com comportamento linear, a deformação é proporcional à carga aplicada. Quanto maior a carga aplicada maior a deformação do material. Se a carga aplicada for muito pequena os materiais vão sofrer muito pouca deformação. Este comportamento é característicos da maioria dos materiais sólidos. Este comportamento é o mais intuitivo para nós.
Existe uma categoria de materiais que têm um comportamento de deformação como resposta à carga aplicada que é bem diferente e que é semelhante ao comportamento dos materiais orgânicos. Estes materiais são designados por matéria mole, logo os tecidos orgânicos são, também, matéria mole. Este comportamento não é intuitivo, não parece lógico...
A matéria mole tem um comportamento de deformação não linear como resposta à aplicação de um carga externa. No início da aplicação da carga, quando esta ainda é baixa, o material deforma-se muito e rapidamente, mas se a carga continua a aumentar, o material vai se deformando cada vez menos, torna-se resistente à deformação. Claro que se a carga aumentar muito vai chegar a um valor que ultrapassa a capacidade do material resistir à deformação e este entra em ruptura e é destruído.
A matéria viva apresenta este comportamento não linear, semelhante ao da matéria mole, mas difere por nunca ter um valor igual zero, no gráfico. Isto mostra que existe um tensão no sistema (orgânico) mesmo antes de ser aplicada uma força externa. Este facto é importante porque vai determinar que a resposta do sistema à aplicação da carga seja muito mais rápida do que num sistema que não esteja pré-tensionado. Se quisermos ter uma resposta mais rápida da adaptação do corpo à carga podemos pré-tensionar a corpo. Isto é notório (percebido/sentido) quando seguramos um peso ou contraímos uma extremidade do corpo antes de fazer algum movimento mais exigente (kettlebell from the ground ou as molas em Pilates) As implicações deste comportamento não linear são muitas para a nossa prática. Por exemplo, se a carga aplicada ao corpo for elevada, o corpo irá responder com um aumento da tensão geral que lhe confere maior resistência à deformação. Mas se o nosso objetivo é o de obter uma reconfiguração dos tecidos do corpo ou uma redistribuição das tensões locais para, por exemplo, reduzir uma dor local, temos que usar um toque suave e não um toque forte. Uma massagem forte não relaxa os tecidos do corpo, pode, inclusivamente, tonificá-los mais. Estes aspetos da firmeza ou dureza do toque nas massagens ou tratamentos manuais do corpo tem sido muito discutida, nomeadamente, pelo Leonid Blyum.

segunda-feira, 15 de julho de 2024

Estímulo 3

"The denser bone is laid down where the compression stress is greatest. Conversely, the softest bone is where there is the least compressive load. Therefore, by examining bone density it is possible to determine what bone takes the most stress, and which the least."
Será que as zonas de menor densidade óssea, onde inicia a osteopenia, correspondem a zonas onde há menor compressão? Seria interessante pensar nisso. Por exemplo, a base da lombar, L5 e L4 têm maiores índices de osteopenia porque não recebem pressão suficiente (na minha percepção da "coisa" que poderei explicar). Isto só é explicado pela biotensegridade e é exatamente contrário à explicação de ossos sobre ossos... O mesmo no colo do fémur, etc... Sei que atualmente a única explicação para a ocorrência da osteopenia/osteoporose é dada com base nos elementos químicos do corpo, equilíbrio hormonais, etc. Esta visão parcial do funcionamento do corpo é questionada pela biotensegridade. Qual o papel da interação física da estrutura, da mecânica e cinemática, no funcionamento bioquímico, fisiológico, etc. do corpo? (Mecano-transdução - Donald Ingberg. Um exemplo para quem queira explorar mais Cellular mechanotransduction: putting all the pieces together again - PubMed (nih.gov)

Estímulo 2

The survival of the fittest

O mais Fit, na natureza, é aquele que se adapta gastando menos energia e cuja organização ocupa o menor espaço possível. Portanto, é aquele que se encaixa melhor no contexto (natureza), não é aquele que quer ultrapassar a natureza, que tem mais de qualquer coisa, mais força, músculo, flexibilidade, etc. A ideia atual de fitness nada tem que ver com a palavra original.
Ter atenção na interpretação que foi feita da palavra fitness usada pelo Joe Pilates nos seus escritos e, logo, na interpretação que fazemos de para que foi concebido o método Pilates.
Ter atenção na definição de objetivos no nosso trabalho ou na explicação do nosso trabalho. Quando ajudamos alguém no seu processo, melhorando a qualidade de vida de alguma forma, será que sabemos justificar mesmo o que estamos a fazer? Será que o nosso modelo de observação do corpo, o paradigma que usamos, dá uma explicação cabal?

Estímulos para o 3º encontro - 1º estímulo

Da leitura do artigo que iremos usar como base de discussão vou retirar algumas "leituras" que vou fazendo e partilho-as aqui. Pode ser que desperte alguma curiosidade em alguém.


A nossa visão e concepção da estrutura, de qualquer estrutura física, está condicionada pelo conhecimento das estruturas físicas inanimadas que nos rodeiam e que foram estudadas e explicadas pelos princípios biomecânicos "descobertos" há séculos. Quando olhamos para qualquer estrutura edificada pelo homem sabemos se está direita ou torta, se se vai manter ou cair dependendo do seu alinhamento com a gravidade, com a sua linearidade. Também sabemos, apenas por olhar, que uma estrutura edificada pelo homem que tenha uma base de sustentação muito pequena e leve, terá menos probabilidade de se sustentar do que uma que tenha a base mais larga que o topo e essa base seja mais robusta. Quando olhamos para a matéria viva - um corpo animal, uma árvore - aplicamos os mesmos parâmetros na nossa avaliação da estabilidade e resistência. Se olharmos atentamente, vamos ver que a nossa ideia pré-concebida não pode estar certa e que precisa de um conhecimento (base científica) diferente do que usamos nos materiais inertes.

O que sugerem estas imagens de estruturas feitas pelo homem? Necessidade mínimas de energia para se manterem?








 O que sugerem estas imagens de estruturas vivas?












Nós, e os seres vivos no geral, não dependemos do alinhamento com a gravidade ou da verticalidade para mantermos a nossa estrutura, a nossa forma de base. Podemos sair da nossa base de apoio e não nos despedaçamos. Nada no nosso corpo é linear ou retilíneo... Podemos mudar a relação entre as nossas "partes" que não nos desmoronamos.

O que é o melhor alinhamento para cada um? Haverá um único?
Se estivermos adaptados a um determinado alinhamento estamos adaptados a uma determinada função e utilização do nosso corpo. Devemos mudar? Quando olhamos para um corpo, vemos mesmo o corpo ou que nos dá mais jeito que o corpo fosse, feito de ""alinhamentos" e linearidades que são mais fáceis de computar com os modelos de estrutura que usamos na ciência?

quarta-feira, 10 de julho de 2024

terça-feira, 9 de julho de 2024

Preparação 3º encontro

Para o terceiro encontro sugeri um novo artigo http://biotensegrity.com/resources/tensegrity--the-new-biomechanics.pdf

Não acordámos datas mas penso que poderíamos reunir no final deste mês e saltar Agosto. Sugiro 28 de Julho, domingo, claro. Alguma outra sugestão?

2º encontro 7 Julho 2024

 Olá,

Aqui fica o link para a gravação do segundo encontro, cujo vídeo fica arquivado e público no canal youtube BIM.

https://youtu.be/fAqhjJRVN0w?si=PHzR2vHU1buyn_GF

Se tiverem questões que queiram dar continuidade, podem fazê-lo aqui nos comentários.

Deixo aqui alguns links que foram mencionados na reunião.

Este é o link para o workshop que a Susan ;owell de Solórzano irá conduzir que se centra no experienciar dos vários campos da biotensegridade:

Feeling Biotensegrity with Susan Lowell de Solòrzano (sutra.co)

O mecanicismo da biologia

Um modelo criado para máquinas e estruturas industriais foi aplicado ao corpo humano. Esse modelo foi extremamente útil em engenharia, mas ...