Boa tarde,
Deixo aqui algumas reflexões que me ocorreram da participação na apresentação brilhante do Manuel. O que escrevo aqui nem foi editado, escrevo-o tal como me foi saindo como reflexão escrita.
Facilitação - A história do treino do Messi, Ronaldo e "Xavi"
Para "facilitar" o treino uso situações de jogo 3*3, por exemplo, mas mantenho todos os ingredientes da situação de jogo. Não vou treinar os jogadores, por exemplo, fazendo remates à baliza, apesar deste ser o objetivo do jogo. Portanto, não vou decompor o jogo nas suas "partes", vou apenas criar alguns "constrains" para facilitar a adaptação, ou o treino. Esta é uma adaptação que respeita os princípios da biotensegridade, onde a simples soma das partes não fazem o todo. Se trabalhasse o remate ou o passe, qualquer gesto técnico, estava a considerar que essa "parte" isoladamente faz parte e aparece como tal no todo, no sistema. O passe isolado nunca parece no jogo, apesar de haver passes no jogo. Portanto, podemos identificar "partes" no todo, no sistema, mas essas "partes" isoladas não significam o mesmo que a "parte" quando é identificada ou vista no sistema, no todo. Este reconhecimento das "partes" apenas serve, ou apenas deve servir, para melhorar a capacidade de observação, ou para refinar a observação, do todo. Também podemos perceber esta sistematização, esta divisão nas "partes" como uma forma de fazer zoom in na observação, de observar a escalas diferentes, uma estratégia reconhecida pela biotensegridade que reflete a heterarquia dentro do sistema hierárquico.
Para "facilitar" a adaptação desejada, ou o efeito do treino que queremos, ainda no caso do futebol, podemos usar os "constrains" no sentido de dificultar a situação ou a prática. Por exemplo, no caso de um grupo de jogadores de alto nível, em vez de usar uma situação favorável de 3*3, podemos usar uma situação em que os "melhores" estejam em desvantagem, 2*3, desta forma estamos a potenciar as capacidades de adaptação, ou o potencial, daqueles.
Outro ponto muito interessante foi a "conclusão" a que o Manuel chegou de que apesar da linguagem usada para descrever o jogo como um sistema, apesar dos dirigentes e dos treinadores e outros intervenientes do sistema jogo de futebol referirem a importância da interdependência do todo, do processo, ao nível mais elementar, ao nível do jogador e da sua preparação para o jogo, as práticas continuam a ver as coisas por partes. O treino dos jogadores -e ele deu o exemplo do desenvolvimento do Ronaldo - não refletem uma visão sistemática da complexidade que é o jogador. Por exemplo, o Ronaldo, mostra um desenvolvimento físico que revela mais rigidez, menos agilidade. É um treino direcionado para o desenvolvimento das "capacidades físicas", da força, da flexibilidade, etc, em vez de ser um treino enquadrado no jogo, um treino que reflita e contemple a complexidade do sistema jogo de futebol.
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